
De uns tempos pra cá tem-se falado muito de um tipo de conhecimento que vem mudando a forma com que Chefs e cozinheiros encaram os alimentos. É a
Gastronomia Molecular, criada em 1988 por
Hervé This, físico-químico francês, e
Nicholas Kurt, professor de Física da Universidade de Oxford, na Inglaterra. A matéria consiste em estudar cientificamente os processos químicos e físicos que ocorrem nos alimentos conforme o seu modo de preparo (tipos de cocção, ingredientes utilizados, etc.) E segundo o próprio
This, em seu Artigo “
Food For Tomorrow?” (publicado em 2006 na revista Nature) “[...] isso não tem a ver com as modas culinárias ou com o preparo de pratos luxuosos, mas com o entendimento dos alimentos [...]”. Ou seja, tal ciência busca compreender fatos simples envolvidos nas preparações culinárias, como por que a maionese se firma ou o bolo “abatuma”.

Os conhecimentos obtidos em suas pesquisas ajudaram os Chefs a buscarem novas tecnologias, métodos e ingredientes para aperfeiçoarem a culinária. A utilização desses conhecimentos, conhecida como Cozinha Molecular, foi o que possibilitou nomes como
Ferran Adrià e
Heston Blumenthal a tornarem-se celebridades do cenário gastronômico atual, criando pratos que fazem com que o comensal passe por uma experiência sensorial completa. Visitando as cozinhas de seus restaurantes, não se espante ao encontrar tubos de ensaio, nitrogênio líquido e uma infinidade de substâncias como alginato de sódio, cloreto de cálcio, entre outras.
É claro que tecnologia e método não são o bastante para criar pratos sensacionais: “[...] um prato pode ser cozinhado perfeitamente, mas se não for apresentado em boas aparências, toda a arte e a ciência significarão muito pouco ao cliente ou convidado; nós, então, decidimos que tínhamos que incluir “
amor” como componente prático na culinária. Conseqüentemente, a gastronomia molecular não utiliza as ciências para explorar técnicas e aspectos culinários, apenas, mas também a “arte” e o “amor” dos componentes; os dois são importantes para o principal alvo da culinária: o deleite do convidado. [...]” (Hervé This,2006).
Portanto, a cozinha molecular tende a somente aumentar nosso prazer e bem-estar ao comer, promovendo uma busca obsessiva por novos sabores e texturas. E apesar da desaprovação dos Chefs mais tradicionalistas, esse estilo “
consciente” de cozinhar veio para ficar e em breve estará presente até mesmo nas cozinhas das nossas donas de casa.
Veja mais:
◊ Dalva e Dito, novo restaurante de Alex Atala. O chef, que já praticava a cozinha molecular em seu premiado restaurante D.O.M., agora se associa à Alain Poletto, francês pioneiro na técnica de cozimento à vácuo para criar mais inovações. Site:
http://www.dalvaedito.com.br/